
Truculência marca negociação da PLR na Finep e categoria cobra respeito à Lei 10.101

A instalação de uma mesa específica para tratar do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na Finep foi anunciada como um fato inédito. No entanto, segundo a representação dos empregados, a iniciativa ocorreu em condições desfavoráveis aos trabalhadores e foi marcada por truculência da atual gestão.
Entre os principais problemas apontados está o isolamento do debate em relação ao calendário nacional da categoria bancária, o que fragiliza a organização dos trabalhadores. Além disso, a mesa foi instaurada apenas em janeiro de 2026, mesmo com o PPLR 2025 já tendo sido encaminhado para as instâncias de aprovação no primeiro trimestre de 2025 e com prazo de execução encerrado em 31 de dezembro do mesmo ano.
De acordo com a representação dos empregados, o processo foi marcado por desconsideração ao papel dos trabalhadores nos resultados da empresa, dos quais derivam os indicadores que compõem a PLR.
Falta de avanços e resistência da gestão
As negociações não avançaram em pautas históricas da categoria, como o pagamento de adiantamento da PLR e a redução das disparidades nos valores pagos às carreiras de nível médio. A gestão também se mostrou contrária a qualquer proposta que resultasse em aumento do valor da PLR, seja para o conjunto dos empregados, seja para os trabalhadores de menor remuneração, rejeitando inclusive a flexibilização do limite de três remunerações-base para esse grupo.
Outra crítica recorrente foi a troca de negociadores a cada rodada, muitos deles sem autonomia para deliberar. Segundo a representação, o argumento utilizado para rejeitar propostas foi o suposto risco de atrasar o pagamento da PLR — estratégia que, na avaliação dos trabalhadores, busca colocar a categoria contra sua própria representação. Os empregados reivindicam a nomeação de um negociador fixo, com autonomia para conduzir todas as tratativas.
Avanços considerados irrisórios
Os poucos avanços obtidos restringem-se a:
- Retificação da metodologia de apuração, reconhecendo o impacto da ocupação de funções comissionadas ao longo do ano, independentemente de sua incidência sobre o salário em 31 de dezembro;
- Compromisso de transparência com a divulgação da metodologia de cálculo;
- Pagamento da PLR para empregados cedidos a órgãos públicos.
Ainda assim, a gestão impôs alterações na redação de cláusulas, especialmente na que trata da parcela fixa da PLR. A representação dos empregados, com respaldo de assessoria jurídica, alertou que as mudanças introduzem dubiedade e podem abrir espaço para injustiças ou ilegalidades. A redação anterior vinha sendo adotada consensualmente há pelo menos quatro anos.
Reivindicações centrais da categoria
Durante o processo, a representação defendeu:
- Separação entre a PLR e o programa próprio de renda variável, revertendo a fusão representada pelo PPLR instituído pela SEST;
- Correção das distorções na distribuição da PLR, com maior equidade entre os empregados;
- Retomada do adiantamento da PLR, alinhando-se à Convenção Coletiva da categoria bancária;
- Antecipação das negociações do ACT da PLR, com maior transparência e participação dos empregados na definição dos parâmetros, permitindo o monitoramento pelos empregados;
- Designação de negociador profissional com autonomia;
- Participação dos trabalhadores na construção de eventual programa de renda variável que venha a substituir o atual modelo;
- Instalação de mesas temáticas permanentes para debate contínuo das demandas da categoria.
Mesmo diante dessas reivindicações, a gestão da Finep, com aval do Conselho de Administração, encaminhou à SEST sua versão unilateral do PPLR 2026 durante o processo de negociação, sem instalar mesa específica para debater o ACT de PLR 2026. Para a representação, a medida afronta o artigo 2º da Lei 10.101/2000, que prevê a participação dos trabalhadores na negociação da PLR.
Diante disso, foi reivindicada a divulgação imediata do PPLR 2026 aos empregados, para subsidiar o debate interno na categoria.
Assembleia e mobilização
A Contraf-CUT e os sindicatos anunciaram a convocação de assembleia para o próximo dia 10 de março, na qual a decisão será tomada pelos trabalhadores.
A Contraf-CUT também encaminhará ofício à Finep solicitando a abertura de negociações no início de abril, no mesmo período em que a entidade inicia as tratativas com os demais bancos na Campanha Nacional. As entidades cobram que a Finep abra um canal de negociação simultaneamente ao calendário nacional da categoria e que realize os ajustes necessários para efetuar o pagamento da PLR imediatamente após a conclusão das negociações.
Segundo Jair Alves, dirigente da Contraf-CUT que coordena as negociações, é fundamental restabelecer o diálogo. “Defendemos que a Finep negocie no mesmo calendário da categoria, com transparência, participação dos empregados e respeito à Lei 10.101. Também cobramos que, encerradas as negociações, a empresa esteja preparada para pagar a PLR sem qualquer atraso”, afirmou.
Para Carlos Alberto Zani, dirigente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, a postura da gestão compromete o diálogo. “A instalação de uma mesa específica poderia representar um avanço democrático, mas o que vimos foi um processo esvaziado, tardio e marcado por imposições. A PLR é resultado do esforço coletivo dos empregados e precisa ser negociada com transparência, respeito à Lei 10.101 e participação efetiva dos trabalhadores”, afirmou.
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