
Tarifaço 2.0 e ataques ao PIX: articulações bolsonaristas nos EUA ameaçam soberania e economia do Brasil

O cenário econômico brasileiro enfrenta uma nova e grave ameaça com o anúncio de uma sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos, em um episódio que já está sendo chamado de "tarifaço 2.0". A medida, que atinge diretamente produtos brasileiros, é avaliada pelo movimento sindical cutista como novo desdobramento direto de articulações políticas lideradas pela família Bolsonaro em solo americano, colocando em risco a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a soberania do país.
O primeiro tarifaço contra produtos brasileiros foi anunciado por Trump em julho de 2025, poucos meses após a atuação do ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto ao governo norte-americano. Na época os bolsonaristas chegaram a comemorar o tarifaço, que veio junto às sanções contra autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF). Após meses de negociações do governo Lula, em 20 de fevereiro deste ano, Trump derrubou o tarifaço e as sanções.
“O segundo tarifaço, anunciado agora, nesta terça-feira, 2 de junho, acontece coincidentemente após a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca, e isso evidencia ainda mais que as movimentações do campo bolsonarista são responsáveis por trazer sérios riscos econômicos ao país”, avalia a presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.
Também nesta terça (2), o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicou um relatório apontando o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, como prática comercial desleal para as empresas americanas que atuam no Brasil. Poucos dias antes, em 28 de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos havia divulgado comunicado incluindo o PCC e do Comando Vermelho na lista Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
Flávio tentou desviar o foco do escândalo Master?
"Essas foram as bagagens que Flávio Bolsonaro trouxe em sua mala, após encontrar-se com Donald Trump, em 26 de maio, e que ameaçam a soberania, a segurança nacional e o sistema financeiro do país", pontua Juvandia Moreira, que também é vice-presidenta a CUT Brasil. “Mas o povo brasileiro não é bobo e sabe muito bem que o objetivo de Flávio com tudo isso era o de faturar politicamente em cima da pauta de segurança pública e, ao mesmo tempo, desviar as atenções do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que lhe repassou milhões”, completa a dirigente.
Juvandia Moreira destaca ainda que o movimento sindical está em alerta diante dos riscos de intervenções estadunidenses no sistema financeiro nacional. “O anúncio do tarifaço 2.0, da forma como ocorreu, parece uma espécie de retaliação ao Pix. Enquanto a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações criminosas traz riscos de sanções econômicas dos EUA em empresas do sistema financeiro, à soberania e à segurança nacional o que, inevitavelmente, atingiria a classe trabalhadora com a perda de empregos e renda”, reforça a dirigente.
Em uma coluna publicada dia 31 de maio, a jornalista Luciana Lima, revelou que pesquisas qualitativas feitas pela comunicação do Palácio do Planalto apontam que a decisão dos EUA em colocar facções criminosas brasileiras no grupo de terroristas não está sendo bem-vista pela população. Embora a segurança pública seja uma das principais preocupações dos brasileiros, parte significativa não acredita que a intervenção dos EUA traria soluções. O levantamento também detectou entre a população o medo de que casas e locais públicos sejam atingidos por bombas dos EUA em ataques contra o crime organizado.
Febraban rebate EUA
Em nota publicada também nessa terça (2), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que o Pix não cria barreiras à concorrência e que as avaliações feitas pelos EUA foram baseadas em informações incompletas sobre o funcionamento e objetivos do sistema automático.
"O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica", destacou a entidade. "Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras. Não há qualquer restrição à entrada de novos participantes, de qualquer porte ou segmento da indústria financeira, desde que operem no mercado nacional, já que é um sistema de pagamentos local e em reais, a moeda brasileira", pontua a Febraban.
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