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13 de Maio de 2026

Pela Vida das Mulheres, a Luta é de todos: CUT lança campanha permanente de combate ao feminicídio

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou, na manhã desta terça-feira (13), a campanha permanente de combate ao feminicídio "Pela Vida das Mulheres, a Luta é de todos". O evento aconteceu na sede da entidade, na capital paulista, e contou com a presença da ministra da Mulher, Márcia Lopes, da cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha (IMP), Regina Célia Almeida, além de dirigentes sindicais de várias categoriais.

"O combate à violência contra mulheres não pode ser uma luta só das mulheres. Precisamos do envolvimento de todos os homens e de todos os setores da sociedade. O movimento sindical cutista tem uma trajetória nesse sentido, na busca de avanços de direitos e proteção da vida das mulheres. Por isso, junto a esse pacto que estamos firmando hoje, também entregamos um conjunto de cláusulas de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher trabalhadora, que editamos com base em experiências bem-sucedidas e conquistadas em mesa de negociação por algumas categoriais, entre elas a bancária, químicos e comerciários", destacou Juvandia Moreira, vice-presidente da CUT Brasil e presidenta da Contraf-CUT.

O documento citado pela dirigente é composto por 14 cláusulas, de medidas que vão desde o estabelecimento de canais de acolhimento, passando pela proteção e apoio, garantia de emprego, até acompanhamento permanente de trabalhadoras vítimas de violência. "Também propomos cláusulas para campanhas educativas, protocolos internos, proteção contra discriminação, articulação com a rede de proteção e integração às políticas públicas por igualdade. Tudo isso para um combate eficiente da violência de gênero, que tem o feminicídio como ato final e mais perverso desse ciclo", completou Juvandia.

Regina Célia, cofundadora e vice-presidente do IMP, parabenizou a iniciativa e ressaltou a importância do movimento sindical contra os altos níveis de feminicídios e outras formas de violência de gênero. "Desde que o Instituto Maria da Penha foi criado, em 2009, trabalhamos na questão da prevenção como parte fundamental nesse processo por uma sociedade livre de feminicídio. E, por conta disso, uma das grandes expectativas que a gente acumulou ao longo desses 17 anos foi alcançar as entidades sindicais que, devido à capilaridade, são fundamentais nessa luta de combate e conscientização sobre a violência de gênero", destacou.

Além de pontuar sobre a posição central do movimento sindical na rede de proteção, Regina Célia reafirmou que a violência de gênero não atinge todas as mulheres de todas as formas: algumas são mais prejudicadas pelo machismo estrutural do que outras, por questões sociais e de raça. "A mulher negra, muitas vezes, não é contemplada pela rede de proteção, porque essa rede não foi desenhada para alcançá-la. Assim, os sindicatos podem ser essa ponte para transformar propostas em ações reais contra a desigualdade de raça e gênero", ponderou.

Maria Julia Nogueira, secretária de Combate ao Racismo da CUT, aproveitou para lembrar que neste 13 de maio o país completou 138 anos da abolição da escravidão. "Mas essa abolição é inacabada, porque até hoje a população negra não teve plena integração às políticas públicas e direitos básicos de acesso e igualdade de oportunidade e renda no mercado de trabalho. Em relação à violência de gênero, as mulheres negras seguem como as principais vítimas de toda a sorte de violência, inclusive nos números de feminicídios", observou.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Cursino, trouxe dados oficiais alarmantes: em 2025, foram 1.568 feminicídios, sendo 62% dos casos contra mulheres negras. "Neste ano, entre janeiro e março, foram 399 feminicídios, considerado o trimestre mais letal da nossa história, superando 7% de aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Por isso que nesta luta precisamos do apoio de toda a sociedade, incluindo o envolvimento dos companheiros homens", completou.

O presidente da CUT Brasil, Sérgio Nobre, ressaltou o papel dos homens na campanha permanente de combate à violência de gênero. "No movimento sindical, identificamos que nós homens ainda estamos despreparados para lidar com o tema. Isso fica mais claro quando observamos que muitas mulheres são mortas em seus locais de trabalho. E isso acontece porque o agressor não suporta a mulher no espaço de autonomia, e o trabalho é um espaço de autonomia. O que reforça ainda mais que o combate ao feminicídio é um tema nosso, do mundo do trabalho", avaliou.

A ministra da Mulher, Márcia Lopes, parabenizou a iniciativa do movimento sindical cutista e reforçou que a proposta está em linha com o "Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio", lançado pelo poder Executivo (governo Lula) em fevereiro, em parceria com os poderes Legislativo e Judiciário.

"A partir do pacto, criamos um comitê de trabalho entre os três poderes que, logo em seguida, resultou na operação da Polícia Federal que prendeu mais de 5 mil homens agressores e na lei, sancionada pelo presidente Lula, que obriga o uso imediato de tornozeleiras por agressores, em casos de risco iminente, e de relógios digitais pelas mulheres vítimas, [que envia alerta em tempo real se o agressor violar a distância mínima]", destacou.

A ministra Márcia Lopes observou ainda que a adesão de entidades de todo o país e de várias categorias à campanha permanente criada pela Central é fundamental para vencer os desafios atuais de fragmentação de lutas e grupos sociais. "Nesse sentido, temos ainda que enfrentar a violência no ambiente digital, enfrentar as plataformas, que só têm compromisso com o lucro e não no combate ao discurso de ódio e contribuem para a fragmentação. Só conseguiremos superar todos esses desafios com a participação de toda a sociedade civil e, hoje, vocês estão dando um passo muito importante neste sentido", completou.

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