
Funcionalismo do BB faz protestos pelo país no Dia Nacional de Luta em defesa da Previ

O funcionalismo do Banco do Brasil realizou nesta quarta-feira (16) protestos em várias partes do país em defesa da sua caixa de previdência dos trabalhadores, a Previ, no dia em que a entidade completou 121 anos de existência. A principal concentração ocorreu em frente à sede da Previ, no Rio de Janeiro. Os trabalhadores também distribuíram jornal especial elaborado pela Contraf-CUT, pelas federações e sindicatos denunciando os ataques contra a Previ. Veja aqui o jornal.
"É dia de comemorar os 121 anos da Previ, mas também de nos engajarmos pela defesa da nossa entidade", explica a coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Fernanda Lopes, diante de uma série de ataques que a entidade vem sofrendo nos últimos meses, por meio de manobras no Tribunal de Contas da União (TCU) e de veículos da grande imprensa.
O XII Congresso dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), realizado entre os dias 11 de abril em Brasília, moção de repúdio à interferência indevida do TCU na Previ, o que só favorece ao mercado financeiro, de olho na gestão do patrimônio de mais de R$ 270 bilhões do maior fundo de pensão da América Latina. Veja a moção abaixo:
MOÇÃO DE REPÚDIO AOS ATAQUES DO TCU CONTRA A PREVI
Os delegados que participam do XII Congresso da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), que está sendo realizado em Brasília de 11 a 13 de abril de 2025, repudiam os ataques que o TCU (Tribunal de Contas da União) vem desfechando contra a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e todo o sistema de previdência complementar fechada, para favorecer os interesses do mercado financeiro, de olho no patrimônio de R$ 1,4 trilhão dos trabalhadores administrados por essas entidades.
Sem ter competência legal para se intrometer nos assuntos dos fundos de pensão, que são entidades privadas e não públicas e só podem prestar contas à Superintendência Nacional de Previdência Complementar, o ministro do TCU Walton Alencar Rodrigues decretou auditoria na Previ, o maior fundo de pensão da América Latina, que é um exemplo de boa governança para todo o sistema de previdência complementar, principalmente porque os trabalhadores têm paridade na gestão da entidade.
Mais grave. Os técnicos do TCU fizeram a auditoria e acabaram de apresentar um relatório em que confirmam a seriedade e a lisura da governança da Previ. Mas o ministro relator Walton Alencar, ignorando totalmente o parecer dos técnicos do próprio TCU, fez um voto político no estilo da Lava Jato, em que ordena nova auditoria, que deve ser agora acompanhada pela PF, MPF, CGU e Congresso Nacional.
Nas argumentações, o ministro do TCU, que foi deputado federal (PSD/TO), repete as opiniões do mercado financeiro, afirmando, por exemplo, que “o ideal” seria que os dirigentes da Previ fossem selecionados por “Head Hunters”, em vez de eleitos pelos associados, os donos do fundo de pensão.
Por isso, repudiamos a indevida interferência do ministro na Previ, que representa uma ameaça ao patrimônio de R$ 274 bilhões dos funcionários do Banco do Brasil.
Brasília, 13 de abril de 2025
Defender o patrimônio dos trabalhadores
"Já estamos acostumados, ao longo de todos esses anos, com as tentativas de agentes externos de repassar a gestão da Previ para as mãos do mercado. Hoje esta gestão é inteiramente feita pelos próprios associados e associadas, sejam eleitos ou indicados pelo patrocinador, que é o Banco do Brasil. Essas movimentações de alijar os associados da gestão da Previ ficaram mais fortes no período recente", destaca Fernanda Lopes.
Desde fevereiro, a Previ está sob auditoria do TCU. "Nós não somos contra as auditorias. Aliás, defendemos e são realizadas constantemente, por agentes externos e internos à Previ. Porém, o que nos chamou a atenção foi a maneira como foi decidida e a forma como está sendo divulgada por um grande meio de comunicação, em específico, na tentativa de criar pânico entre os associados e que poderia colocar em risco o modelo de gestão de sucesso da Previ", observa Fernanda Lopes.
A Previ já entregou à entidade auditora, indicada pelo TCU, mais de 2 mil documentos. O relatório preliminar encaminhado à Corte não registrou nenhuma irregularidade na Previ. Ainda assim, no dia 9 de abril, o plenário do TCU aprovou uma ampliação da auditoria, com argumentos que contrariam os resultados da própria auditoria preliminar.
Diante desses fatos, os funcionários e funcionárias do Banco do Brasil realizaram o seguinte levantamento:
- Desde o início de fevereiro, um meio de comunicação em destaque no país publicou mais de 50 matérias com ataques à Previ;
- O bombardeio coincide com uma ofensiva de ministros TCU contra a Previ, cujo capítulo mais recente foi o voto político de um deles;
- Em sua decisão, o decano contrariou o relatório técnico do próprio TCU;
- Por coincidência, presidente executivo do conselho do meio de comunicação indicado acima é sogro de um outro ministro do TCU;
- Ministro esse que fez grande articulação com políticos, pessoas do mercado financeiro e de fundos de pensão, incluindo a Previ, para ser indicado presidente da Vale;
- Entretanto, outro nome foi eleito pelo Conselho da Administração, onde a Previ tem participação acionária;
- Além desses fatos, em meados do ano passado, o Banco do Brasil decidiu não renovar contrato de publicidade com o referido meio de comunicação, que mais tem dado espaço aos ataques contra a Previ e menos espaço para que a Previ se defenda nas matérias.
"Nossas manifestações de hoje tiveram como objetivo ampliar essas informações para nossos colegas, associados e associadas da Previ, e requerer de uma instituição tão importante e necessária à democracia, que é o TCU, uma análise coerente e baseada nos dados técnicos e não por motivações políticas, também exigimos que os meios de comunicação deem espaço justo para que a Previ e os associados e associadas da entidade em suas publicações", conclui Fernanda Lopes.
Veja imagens dos protestos.
Fonte: Fetec-CUT/CN, com informações da Contraf-CUT
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