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3 de Junho de 2026

Caixa mantém critérios contestados no Super Caixa

Principais pontos tratados neste texto

  • Mudanças foram anunciadas faltando poucas semanas para o fechamento do semestre;
  • CSAT e Integridade seguem como critérios obrigatórios para habilitação;
  • Caixa obriga empregado a aceitar todos os termos para ter acesso ao sistema do programa;
  • Caixa mantém caráter não salarial e sem reflexos trabalhistas do Super Caixa;
  • Nova regra cria percentuais intermediários de pagamento, mas mantém critérios considerados excludentes;
  • Entidades afirmam que o programa continua complexo, pouco transparente e injusto para parte dos empregados.

Leia a íntegra do texto

A Caixa Econômica Federal apresentou, em live realizada na segunda-feira (2), alterações no regulamento do programa de remuneração variável Super Caixa. As mudanças foram divulgadas faltando apenas 19 dias úteis para o fechamento do ciclo e, embora tragam alguns ajustes na forma de cálculo do valores a pagar, mantêm critérios que vêm sendo duramente criticados pelas entidades representativas dos empregados desde a implantação do programa.

Entre os pontos que permanecem inalterados estão os indicadores de CSAT (Customer Satisfaction Score – Pontuação de Satisfação do Cliente) e NS, apontados pelos trabalhadores como fatores excludentes e desproporcionais para o acesso ao programa. Durante a apresentação, representantes do banco afirmaram que a Caixa não abrirá mão desses critérios.

Outro aspecto que chamou a atenção das entidades é a exigência de assinatura de diversos termos de ciência para que os empregados possam acessar o sistema de acompanhamento do desempenho. O trabalhador só tem acesso ao sistema Super Caixa, para consultar seus resultados, se concordar com todos os itens dos termos.

Os termos também estabelecem que os valores pagos pelo programa possuem natureza de premiação, sem incorporação à remuneração, sem reflexos trabalhistas, previdenciários ou fundiários. Além disso, o empregado precisa declarar ciência de que as simulações apresentadas no portal não representam expectativa de pagamento e que os valores dependem de regras, gatilhos e repasses definidos pela empresa.

O que mudou

Segundo a apresentação feita pela Caixa, o modelo deixa de operar exclusivamente na lógica do “tudo ou nada” e passa a prever faixas intermediárias de "premiação".

Pelas novas regras, a habilitação inicial passa a ser de 25% do valor da remuneração devida, desde que se atinja os marcos de liderança na dimensão Integridade do Alcance.Caixa e em pelo menos mais uma dimensão Core, além de CSAT e NS igual ou superior a 100.

Após a habilitação, o empregado passa a acumular percentuais de premiação conforme seu desempenho nas dimensões Core e nas demais dimensões do Alcance.Caixa.

Na prática, isso significa que um trabalhador poderá receber percentuais intermediários, mesmo sem atingir o nível máximo em todas as dimensões, situação que não ocorria no formato anterior.

Apesar da mudança, as entidades observam que a estrutura continua baseada em uma série de condicionantes, gatilhos e classificações que tornam o programa complexo e de difícil compreensão para os empregados.

Críticas permanecem

Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco, as alterações anunciadas são resultado direto da mobilização dos trabalhadores e da pressão exercida pelas entidades representativas, mas ainda estão longe de resolver os principais problemas do programa.

“Se houve mudanças, elas aconteceram porque os empregados se mobilizaram, denunciaram as injustiças do programa e cobraram a Caixa de forma permanente. Mas a principal crítica continua válida. O banco manteve critérios que podem excluir trabalhadores, mesmo quando eles contribuem efetivamente para os resultados da unidade. O reconhecimento não pode depender de indicadores que muitas vezes fogem ao controle do empregado”, afirmou.

Felipe também criticou o momento escolhido pela empresa para anunciar as mudanças. “Não é razoável alterar regras de um programa dessa relevância quando o semestre já está praticamente encerrado. Isso gera insegurança, dificulta o acompanhamento dos resultados e compromete a transparência que deveria existir em qualquer política de remuneração variável”, acrescentou.

Falta de transparência

A representante da Fetec-CUT/CN e presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, destacou que a exigência de assinatura dos termos para acesso ao sistema amplia as preocupações sobre a condução do programa.

“É muito grave que o empregado seja obrigado a concordar integralmente com uma série de condições para simplesmente acessar informações sobre o seu desempenho. Transparência não pode ser tratada como concessão da empresa. O trabalhador tem o direito de saber como está sendo avaliado e como está sendo calculada sua remuneração variável”, afirmou.

Segundo Tatiana, o modelo continua excessivamente complexo. “A Caixa fala em simplificação, mas o que vemos é a manutenção de uma estrutura difícil de compreender, com vários gatilhos, módulos, dimensões e critérios que acabam dificultando o acompanhamento pelos empregados. Quanto mais complexo é o sistema, menor é a transparência”, observou. "Se a Caixa quer simplificar, basta implementar o 'Vendeu, recebeu' que o movimento sindical defende", acrescentou.

Programa continua excludente

Para o diretor executivo da Contraf-CUT, Lívio Santos e Assis, o banco deixou de enfrentar a principal reclamação apresentada pelos trabalhadores desde o lançamento do Super Caixa.

“O problema central continua existindo. A categoria sempre defendeu que quem gera resultado precisa ser reconhecido. As alterações criam algumas faixas intermediárias, mas não eliminam mecanismos que continuam excluindo colegas que ajudaram a construir os resultados da unidade. A lógica do programa segue distante daquilo que os empregados reivindicam”, avaliou.

Ele também ressaltou que as mudanças foram anunciadas sem negociação prévia com as representações dos trabalhadores. “Mais uma vez a Caixa comunica decisões já tomadas e espera que os empregados simplesmente se adaptem às novas regras. Esse não é o caminho para construir um programa justo e legítimo.”

Mobilização continuará

A diretora da Apcef/AP, Joana Lustosa, avalia que o anúncio confirma críticas feitas pelas entidades ao longo de todo o processo de implantação do Super Caixa. “As alterações são insuficientes diante das reivindicações apresentadas pelos empregados. Houve flexibilizações pontuais, mas permanecem critérios excessivos, informações pouco claras e mecanismos que podem impedir que trabalhadores que contribuíram para os resultados recebam os valores a eles devido. Além disso, a divulgação tardia das regras demonstra mais uma vez a falta de previsibilidade que tem marcado esse programa”, afirmou.

As entidades representativas dos empregados informaram que continuarão acompanhando a implementação das novas regras e cobrando mudanças que garantam maior transparência, previsibilidade e justiça no programa de remuneração variável da Caixa.

Desde 2025, o Super Caixa tem sido alvo de críticas relacionadas à falta de transparência dos critérios, à utilização de indicadores considerados punitivos, à dificuldade de acompanhamento dos resultados durante o ciclo e à possibilidade de exclusão de trabalhadores que contribuíram para o desempenho das unidades, pautas que continuam presentes mesmo após as alterações anunciadas pelo banco.

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