
BNDES: trabalhadores aprovam ACT em assembleia com quórum recorde

Os funcionários do BNDES aprovaram, em assembleia nacional, a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pelo banco. A votação teve participação de mais de 80% do corpo funcional, com 2.439 votos registrados, estabelecendo um quórum recorde e demonstrando o amplo envolvimento dos funcionários no processo de negociação.
No resultado nacional, o ACT foi aprovado em todas as bases participantes. Foram 1.301 votos favoráveis (53,34%), 1.123 contrários (46,04%) e 15 abstenções (0,62%). A votação envolveu trabalhadores das bases do Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco, Belo Horizonte e São Paulo.
A proposta negociada em mesa garante os direitos já conquistados e prevê ganhos reais nos salários e nas demais verbas durante os dois anos de vigência do ACT. O acordo também incorpora novas cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e traz avanços em temas como diversidade, equidade e inclusão.
Entre os pontos acordados estão ainda a criação da Comissão Permanente do NM e o compromisso de discutir, no âmbito da cláusula de Negociação Permanente, questões relacionadas ao Novo Plano de Cargos e Salários (NPCS).
Para o diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BNDES, Vinicius Assumpção, a participação expressiva demonstra a importância da negociação coletiva e da participação dos trabalhadores nas decisões. “A assembleia é soberana e decidiu democraticamente, com um quórum recorde de mais de 2 mil participantes e a participação de mais de 80% do corpo funcional. Sabemos que uma negociação não consegue atender integralmente às expectativas de todas as partes, mas o acordo que construímos garante direitos, traz ganhos reais e abre espaços importantes para avançarmos em pautas que continuam sendo fundamentais para os trabalhadores do BNDES”, afirmou Vinicius.
Construção coletiva na negociação
A Contraf-CUT também destaca a atuação conjunta das diferentes representações dos trabalhadores ao longo da campanha. A entidade reconhece a importância da participação das entidades sindicais, dos sindicatos, dos representantes do funcionalismo e das demais representações que estiveram presentes na mesa de negociação e contribuíram para a construção do acordo.
Para a Contraf-CUT, esse processo reforça cada vez mais a importância da parceria com as associações internas do BNDES, ampliando a capacidade de diálogo e de construção coletiva em torno das demandas dos trabalhadores. “A construção desse acordo contou com a participação de diferentes representações do funcionalismo. A Contraf-CUT reconhece e valoriza o papel de todas as entidades, sindicatos e representantes que estiveram na mesa de negociação. Essa atuação conjunta mostra que a parceria com as associações internas do banco está cada vez mais fortalecida e é fundamental para avançarmos na defesa dos interesses de todo o corpo funcional”, destacou Vinicius.
Avanços nas pautas do NM e NPCS
Durante as negociações, um dos principais pontos de debate foi o mecanismo de promoção relacionado ao NPCS. Inicialmente, havia dúvidas sobre a previsibilidade da trajetória de carreira, uma vez que o mecanismo apresentado pelo banco previa forte dependência da discricionariedade da Administração.
Ao longo do processo, a mobilização dos trabalhadores levou o banco a apresentar novos esclarecimentos e alterações na proposta. Uma das mudanças foi a transformação do teto de dois steps em um piso, ampliando a previsibilidade para a evolução na carreira dos profissionais abrangidos pelo NPCS.
A mudança também trouxe maior previsibilidade para os gestores responsáveis pelo processo de distribuição dos steps.
Vinicius destacou que as discussões realizadas durante a campanha contribuíram para dar maior visibilidade às demandas dos trabalhadores do NM e do NPCS. “A mobilização colocou as pautas do NM e do NPCS no centro da discussão. Conseguimos avanços e criamos espaços permanentes para continuar tratando desses temas. Agora, com o acordo aprovado, é hora de virar a página, manter o diálogo e utilizar esses espaços para buscar consensos e avançar nas questões que ainda precisam ser resolvidas”, ressaltou.
Negociação permanente
Com a aprovação do ACT, a representação dos trabalhadores terá novos espaços para dar continuidade às discussões. A Comissão Permanente do NM e a cláusula de Negociação Permanente para o NPCS serão instrumentos para aprofundar o debate sobre carreira, condições de trabalho e demais demandas apresentadas pelos funcionários.
A Contraf-CUT reforça que a construção do acordo foi resultado da negociação entre a representação dos trabalhadores e o banco e que a participação expressiva na assembleia demonstra o envolvimento do corpo funcional nas decisões relacionadas ao ACT. “Seguiremos acompanhando o cumprimento do acordo e cobrando os compromissos assumidos. A negociação coletiva não termina com a assinatura do ACT. Ela continua nos espaços que conquistamos e na mobilização dos trabalhadores”, concluiu Vinicius.
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