
Bancários da Caixa de Ponta Porã e região rejeitam proposta da Caixa

Os empregados da Caixa Econômica Federal da base do Sindicato dos Bancários de Ponta Porã-MS e Região rejeitaram, nesta sexta-feira (11), a proposta final apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico.
A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária, realizada de forma virtual e com participação de 86,21% dos empregados aptos a votar na base do Sindicato. Nas urnas, 68% rejeitaram a proposta e 32% votaram pela aprovação. Não houve abstenções.
Para o presidente do Sindicato, Marcelo Lugo, o resultado das assembleias, tanto na base do Sindicato quanto no restante do país, representa uma resposta dos empregados à condução das negociações e à falta de soluções definitivas para questões que há anos mobilizam a categoria.
“O Saúde Caixa é um dos maiores exemplos disso. Há anos buscamos, nas mesas de negociação, uma solução efetiva para os problemas do plano. É um tema que sempre mobilizou muito os empregados, porque estamos falando da saúde dos trabalhadores e de suas famílias, especialmente daqueles colegas que adoecem e precisam do plano justamente nos momentos de maior dificuldade. Ao longo dos anos foram encontradas soluções paliativas, mas os problemas permaneceram. Nesta campanha, chegou um momento em que os empregados disseram: chega. O Saúde Caixa é valioso demais para aceitarmos continuar apenas adiando uma solução de verdade”, afirmou Marcelo.
O presidente também criticou a postura adotada pela direção da Caixa na reta final das negociações e após a manifestação dos empregados nas assembleias.
“Foi uma postura, no mínimo, questionável. Houve uma intensa utilização dos sistemas e canais internos da Caixa na tentativa de convencer o corpo funcional a aceitar a proposta. Na última proposta apresentada, a empresa ainda incluiu o chamado ‘prêmio de reconhecimento’ pelo atingimento do IEO, justamente quando os empregados se preparavam para decidir sobre o acordo. Mas a categoria soube distinguir um pagamento pontual daquilo que estava realmente em jogo: direitos e questões estruturais que afetam o presente e o futuro dos trabalhadores”, afirmou Marcelo.
Para o presidente, a reação da empresa após a rejeição também merece destaque. “Quando os empregados, de forma democrática, disseram não à proposta, a resposta da direção foi comunicar a possibilidade de deixar de aplicar uma série de direitos previstos nos acordos anteriores. Isso, no mesmo momento em que trabalhadores de diversas partes do país davam uma resposta contundente nas urnas. Em vez de compreender o resultado como um chamado para retomar as negociações e buscar soluções, a empresa optou por aumentar ainda mais a tensão com o seu corpo funcional”, criticou.
Marcelo avalia que a sequência dos acontecimentos fortalece a mobilização. “Nem a pressão pelos canais internos, nem um prêmio colocado na última proposta e nem a perspectiva de perda de direitos fizeram os empregados recuarem. A categoria chegou a um limite. Quando trabalhadores de todo o país dão uma resposta dessa dimensão, é preciso ouvi-los. Agora caminhamos para uma greve que poderá ser histórica e que leva uma mensagem muito clara à direção da Caixa: os empregados querem respeito, valorização e soluções concretas para problemas que vêm sendo adiados há anos”, concluiu.