
28 de agosto, Dia do Bancário, é o símbolo de mais de um século de lutas e conquistas

“Os bancários são a categoria mais organizada do Brasil e são um exemplo para toda a classe trabalhadora”, disse o ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT Nacional, em seu pronunciamento na abertura da 27ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, na sexta-feira 22 de agosto, em São Paulo.
Não foi apenas uma gentileza retórica de um ex-líder metalúrgico. A afirmação de Marinho é uma constatação de quem conhece a história dos bancários, a única categoria de trabalhadores no Brasil que tem os mesmos salários e os mesmos direitos em todo o território nacional, seja em bancos públicos ou privados. E isso como resultado de mais de um século de lutas e conquistas, asseguradas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), assinada pela primeira vez em 1992 e renovada periodicamente desde então.
As lutas dos bancários começaram nos anos 1920, pelo direito de se organizar. Primeiro foram criadas associações e só na década seguinte surgiram os primeiros sindicatos. Na primeira greve, em 1933, conquistaram a jornada de trabalho de seis horas (na maior parte do país a jornada era das 7h30 às 18h30) e o salário mínimo profissional.
Desde então todos os direitos da categoria foram conquistados com organização e muitas lutas. Entre eles, piso salarial, quadro de carreira, unificação nacional da data-base, 13º salário, fim do trabalho aos sábados, auxílio-creche, tíquete-refeição, PLR, cesta-alimentação e 13ª cesta, mecanismos de defesa da igualdade de oportunidades e de combate ao assédio moral e sexual, licença-maternidade de 180 dias, inclusão dos parceiros de mesmo sexo nos planos de saúde.
Mas as lutas dos bancários não foram apenas por direitos salariais e corporativos. Nesse mais de um século sempre estiveram juntos com outras categorias na vanguarda das lutas gerais da classe trabalhadora e da sociedade brasileira pela democracia, por um Brasil justo, mais igualitário e soberano.
Como foi criado o Dia do Bancário
O 28 de agosto foi escolhido pelos próprios bancários como o seu dia em homenagem à greve heroica de 1951, que começou exatamente nessa data e foi a mais longa da história da categoria.
A categoria reivindicava um reajuste de 40%, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. A contraproposta dos bancos, de 20% de aumento, foi considerada insuficiente e os bancários decidiram entrar em greve. Foram 69 dias de paralisação, até que, em 5 de novembro, a Justiça concedeu um reajuste de 31%, pondo fim à paralisação.
O Dia d@ Bancári@ deste ano ganha um brilho especial porque a categoria também comemora os 40 anos da greve heroica de 1985, que está gravada na história por uma série de fatores: foi a primeira paralisação depois do golpe militar de 1964, foi a maior greve de todas porque parou completamente o sistema financeiro de norte a sul do país e porque construiu a unidade nacional da categoria, que se consolidaria com a conquista da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em 1992.
Fundação da CUT
O dia 28 de agosto também é comemorado como dia de luta por ser o dia de fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em 1983, ainda em plena ditadura militar.
Os bancários foram fundamentais na organização e criação da CUT, hoje a maior central sindical do país, à qual a Fetec-CUT/CN é filiada.
Fonte: Fetec-CUT/CN
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